A piometra em cadelas e gatas é uma das doenças mais graves que podem afetar o sistema reprodutivo das fêmeas não castradas. Trata-se de uma infecção uterina potencialmente fatal, que exige diagnóstico rápido e tratamento imediato.

Apesar de ser relativamente comum, muitos tutores ainda desconhecem os riscos, os sintomas e as formas de prevenção dessa condição que pode evoluir silenciosamente.

Neste artigo, você vai entender em detalhes o que é a piometra em cadelas e gatas, quais são suas principais causas, como reconhecer os sintomas, e quais são as opções de tratamento e prevenção mais eficazes.

O que é piometra e quem está em risco

A piometra é uma infecção uterina grave que afeta principalmente cadelas e gatas que ainda não foram castradas. Ela acontece quando, após o cio, o útero permanece sob a influência de hormônios como a progesterona, que prepara o corpo para uma possível gestação.

Quando não há fecundação, esse ambiente pode se tornar favorável à entrada e multiplicação de bactérias, levando à formação de pus dentro do útero. Essa condição é perigosa e pode evoluir rapidamente, colocando a vida do animal em risco se não for tratada a tempo.

A doença costuma aparecer em fêmeas adultas ou idosas, geralmente após repetidos ciclos de cio sem gestação. No entanto, também pode ocorrer em animais mais jovens que receberam medicações hormonais para evitar o cio. Além disso, algumas raças, como Golden Retriever, Rottweiler e Collie, parecem ter uma predisposição maior, embora qualquer fêmea não castrada possa desenvolver a infecção.

Existem dois tipos principais de piometra: a aberta e a fechada. Na forma aberta, o útero elimina o pus através da vulva, o que facilita o diagnóstico, pois o tutor nota uma secreção com odor forte. Já na forma fechada, o pus fica preso dentro do útero, tornando o quadro mais perigoso, já que os sinais externos podem ser sutis e a infecção pode se espalhar rapidamente pelo organismo.

Em resumo, a piometra é uma emergência médica que exige atenção imediata. Saber quem está em risco e observar o comportamento da fêmea após o cio são atitudes essenciais para detectar o problema cedo e salvar a vida do animal.

Sintomas, sinais clínicos e diagnóstico da piometra

Os sintomas da piometra podem variar conforme a gravidade e o tipo da infecção, mas alguns sinais são bastante característicos e devem acender o alerta nos tutores. Entre os mais comuns estão apatia, falta de apetite, aumento da sede e da frequência urinária, vômitos, febre e abdômen inchado ou dolorido.

Em casos de piometra aberta, nota-se a presença de secreção vaginal espessa, amarelada ou com sangue e odor forte. Já na piometra fechada, o pus fica retido dentro do útero, o que torna o quadro mais perigoso, pois os sintomas podem ser discretos enquanto a infecção se espalha pelo corpo.

As fêmeas afetadas costumam demonstrar mudanças de comportamento, como isolamento e cansaço excessivo. Também é comum que apresentem dificuldade para se levantar ou desconforto ao serem tocadas na região abdominal. Esses sinais costumam aparecer algumas semanas após o cio, o que ajuda o veterinário a associar o problema à fase reprodutiva da cadela ou gata.

O diagnóstico da piometra é feito através da combinação de exame clínico, histórico do animal e exames complementares. O veterinário pode solicitar um hemograma, que geralmente mostra aumento dos glóbulos brancos, indicando infecção, e exames de imagem, como ultrassonografia ou radiografia, que confirmam o acúmulo de líquido no útero.

Detectar a doença rapidamente é essencial, pois a piometra evolui de forma acelerada e pode levar a sepse ou insuficiência renal se não tratada a tempo. Por isso, qualquer alteração de comportamento ou sinal de secreção após o cio deve ser motivo para procurar atendimento veterinário imediato.

Tratamento, urgência e prevenção da piometra

O tratamento da piometra em cadelas e gatas é uma emergência veterinária. Essa infecção no útero pode evoluir rapidamente e causar complicações graves, como ruptura uterina, infecção generalizada e falência de órgãos.

Por isso, o atendimento deve ser imediato assim que surgirem os primeiros sinais. A escolha do tratamento depende do estado geral do animal, da gravidade do quadro e do tipo de piometra — se é aberta ou fechada.

O tratamento mais seguro e eficaz é a cirurgia de retirada do útero e dos ovários, chamada de ovariohisterectomia. Esse procedimento elimina completamente a infecção e impede que o problema volte a acontecer.

Antes da cirurgia, o veterinário costuma estabilizar o animal com soro, antibióticos e medicamentos de suporte, já que muitos chegam desidratados ou com alterações nos rins e no fígado. É importante lembrar que essa cirurgia é mais delicada que uma castração comum, pois o útero está inflamado e cheio de secreção.

Em alguns casos muito específicos, como em fêmeas jovens usadas para reprodução ou em animais com alto risco cirúrgico, pode-se tentar o tratamento medicamentoso, utilizando hormônios e antibióticos para eliminar o pus do útero. No entanto, essa opção tem resultados limitados, apresenta risco elevado de recaída e geralmente não é indicada em casos graves.

A prevenção é sempre o caminho mais seguro. A castração antes de múltiplos cios elimina praticamente o risco de piometra, já que o útero e os ovários são removidos. Além disso, evitar o uso de hormônios para inibir o cio e realizar consultas veterinárias periódicas ajudam a manter a saúde reprodutiva em dia.

Conclusão

A piometra é uma doença silenciosa, mas extremamente perigosa, que pode afetar qualquer cadela ou gata não castrada. Com sintomas muitas vezes sutis no início, ela exige atenção redobrada dos tutores e ação rápida ao menor sinal de alerta.

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem toda a diferença entre a recuperação e um desfecho grave. Mais do que tratar, porém, o melhor caminho é prevenir — e a castração é a forma mais eficaz de garantir que essa infecção nunca aconteça.

Cuidar da saúde reprodutiva da sua pet é um gesto de amor e responsabilidade que pode salvar vidas e proporcionar mais qualidade e longevidade ao seu animal de estimação.

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