A hepatite infecciosa canina é uma doença viral grave que pode afetar cães de diferentes idades, especialmente filhotes e animais não vacinados.

Provocada pelo adenovírus canino tipo 1 (CAV-1), essa enfermidade compromete principalmente o fígado, mas também pode atingir rins, olhos e o sistema imunológico. Por apresentar sinais iniciais semelhantes aos de outras doenças comuns, muitas vezes o problema passa despercebido, o que pode atrasar o tratamento e agravar o quadro clínico.

Neste artigo, você vai entender como é feito o diagnóstico da hepatite infecciosa canina, quais exames são utilizados e quais são as principais opções de tratamento veterinário disponíveis atualmente. Também abordaremos a importância da prevenção por meio da vacinação e dos cuidados no dia a dia.

Sintomas da Hepatite Infecciosa Canina

Os sintomas da hepatite infecciosa canina podem variar bastante, dependendo da idade do animal, do estágio da doença e da resposta do organismo à infecção.

Em muitos casos, os sinais iniciais são inespecíficos e semelhantes aos de outras enfermidades, o que dificulta a identificação imediata. Febre, apatia, cansaço excessivo e perda de apetite costumam ser os primeiros alertas de que algo não está bem com a saúde do cão.

Com a progressão da doença, é comum surgirem alterações gastrointestinais, como vômitos e diarreia, que podem ou não conter sangue. A dor abdominal também pode estar presente, fazendo com que o animal demonstre desconforto ao ser tocado ou adote posturas incomuns.

Como o fígado é um órgão essencial para o metabolismo e a desintoxicação do organismo, seu comprometimento pode provocar ainda mucosas mais pálidas ou amareladas, indicando possíveis alterações hepáticas.

Em quadros mais graves, a hepatite infecciosa canina pode causar problemas de coagulação, levando a sangramentos espontâneos, além de manifestações oculares, como a opacidade azulada nos olhos, conhecida popularmente como “olho azul”. Esses sinais indicam um estágio mais avançado da doença e exigem atendimento veterinário imediato. Por isso, observar mudanças no comportamento e no estado geral do cão é fundamental para buscar ajuda precoce e aumentar as chances de um tratamento eficaz.

Diagnóstico: exames, testes laboratoriais e diagnóstico diferencial

O diagnóstico da hepatite infecciosa canina começa com uma avaliação clínica detalhada realizada pelo médico-veterinário. Nessa etapa, são considerados os sintomas apresentados pelo cão, o histórico de vacinação, a idade e a possível exposição a outros animais. Como os sinais iniciais podem se confundir com os de diversas doenças, essa análise inicial é fundamental para direcionar a investigação e definir quais exames serão necessários.

Os exames laboratoriais têm papel central na confirmação do diagnóstico. O hemograma pode indicar alterações inflamatórias e queda de plaquetas, enquanto os exames bioquímicos avaliam a função do fígado por meio das enzimas hepáticas e dos níveis de bilirrubina.

Testes de coagulação também costumam ser solicitados, já que a doença pode interferir na capacidade do sangue de coagular adequadamente. Em alguns casos, exames específicos ajudam a identificar o agente causador, contribuindo para um diagnóstico mais preciso.

O diagnóstico diferencial é uma etapa importante, pois várias doenças podem provocar sintomas semelhantes, como leptospirose, cinomose, pancreatite e outras enfermidades hepáticas.

Por isso, o veterinário analisa o conjunto de resultados para descartar essas condições e chegar à causa correta do problema. Esse cuidado evita erros no tratamento e permite que o manejo seja adequado à real condição do animal, aumentando as chances de recuperação e reduzindo o risco de complicações.

Tratamento da Hepatite Infecciosa Canina

O tratamento da hepatite infecciosa canina é voltado principalmente para o controle dos sintomas e para o suporte do organismo do animal, já que não existe um medicamento específico capaz de eliminar diretamente o vírus causador da doença.

Por esse motivo, quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de recuperação e de redução das complicações. Em casos moderados a graves, a internação pode ser necessária para um acompanhamento mais próximo.

Entre as principais medidas adotadas estão a fluidoterapia, que ajuda a manter a hidratação e a função dos órgãos, e o uso de medicamentos para controlar vômitos, dor e febre.

Quando há alterações na coagulação ou risco de sangramentos, o veterinário pode indicar tratamentos específicos para estabilizar o quadro. Antibióticos também podem ser utilizados para prevenir ou tratar infecções bacterianas secundárias, que costumam surgir quando o sistema imunológico está comprometido.

Além do tratamento clínico, os cuidados durante a recuperação são fundamentais. Repouso, alimentação adequada e acompanhamento veterinário frequente ajudam o fígado a se recuperar gradualmente.

Após a melhora, a prevenção ganha destaque, especialmente por meio da vacinação, que é a forma mais eficaz de evitar novos casos da doença. Com manejo adequado e atenção contínua, muitos cães conseguem se recuperar e retomar uma boa qualidade de vida.

Conclusão

A hepatite infecciosa canina é uma doença séria que pode evoluir rapidamente e causar complicações importantes quando não é identificada a tempo. Ao longo deste artigo, vimos como os sintomas podem variar, desde sinais leves e inespecíficos até manifestações mais graves, reforçando a importância da atenção dos tutores a qualquer mudança no comportamento ou na saúde do cão.

O diagnóstico precoce, baseado em avaliação clínica e exames laboratoriais adequados, é essencial para diferenciar a hepatite infecciosa de outras doenças com sintomas semelhantes e garantir um manejo correto. Da mesma forma, o tratamento de suporte, aliado a cuidados contínuos e acompanhamento veterinário, é fundamental para aumentar as chances de recuperação e reduzir riscos durante a evolução da doença.

Por fim, a prevenção continua sendo a melhor estratégia. Manter a vacinação em dia e realizar consultas veterinárias regulares são atitudes simples que fazem toda a diferença na proteção da saúde do animal. Com informação de qualidade e cuidados adequados, é possível oferecer mais segurança, bem-estar e qualidade de vida aos cães.

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